Uma lata de refrigerante por dia aumenta em 20% o risco de diabetes, afirma novo estudo

Beber uma lata de refrigerante com açúcar por dia pode aumentar o risco de diabetes tipo 2 em 22%, afirma um novo estudo europeu.
Os resultados corroboram a pesquisa conduzida nas populações norte-americanas. Os achados de um estudo realizado pela Drª. Dora Romaguera, PhD, da School of Public Health, Imperial College London, Reino Unido, foram publicados online na edição de 24 de Abril do periódico Diabetologia.

Eles utilizaram o tipo longitudinal de estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC) para avaliar as ligações entre o consumo de bebidas com açúcar (sucos e néctares, refrigerantes com açúcar, e bebidas adoçadas artificialmente) e o diabetes tipo 2. Eles estabeleceram um padrão de Coorte constituído pela incidência de 12.403 casos de diabetes tipo 2 e um Coorte aleatório de 16.154 indivíduos.
Um aumento no consumo de uma lata de refrigerantes adoçados com açúcar ou artificialmente foi associado com o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (margem de erro de 1.22 e 1.52, respectivamente).
Depois do ajuste do consumo energético e do Índice de Massa Corporal (IMC), os quais foram utilizados para mediar a associação entre o consumo de refrigerantes e diabetes, tal associação foi atenuada de alguma maneira, porém, não eliminada (HR, 1.18, 95% CI 1.06 — 1.32).
O consumo de sucos e néctares não foi associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Conforme noticiado pelo Medscape Medical News, um estudo recente realizado na França encontrou uma relação entre o consumo de refrigerantes diet (e normais) e um risco aumentado para diabetes tipo 2 em mulheres.
Os pesquisadores dizem que o aumento do risco de diabetes entre os consumidores de refrigerantes açucarados na Europa reflete o que foi visto em uma meta-análise realizada na América do Norte, que encontrou 25% de aumento do risco de diabetes tipo 2 associada a um incremento diário de 150 calorias (12 onças) do consumo de bebidas adoçadas com açúcar.
A Drª. Romaguera e seus colegas dizem que os pontos fortes de sua análise incluem o seu “poder, o método em perspectiva e a população europeia caracterizada de diferentes centros.” Mas o fato de que as exposições alimentares e antropometria foram avaliados apenas uma vez no início do estudo, sem que tenham levado em conta as possíveis modificações de dieta e mudança de peso durante o seguimento, é uma possível limitação, eles observam.

Mais um prego no caixão para os refrigerantes

Solicitada a comentar, Rachel K. Johnson, PhD, professora de nutrição da Universidade de Vermont, Burlington, disse que os resultados deste trabalho são “importantes porque eles vêm de um processo de pesquisa bem elaborado e prospectivo realizado em uma grande amostra de europeus que estavam saudáveis no início do estudo. [Este estudo] permitiu aos investigadores a determinar a associação entre […] diferentes tipos de bebidas doces e a incidência de diabetes em uma população europeia com uma vasta gama de consumo.
“Este estudo é mais um prego no caixão para bebidas adoçadas com açúcar. A American Heart Association recomenda que você não consuma mais do que 450 calorias (36 onças) de bebidas adoçadas com açúcar por semana”, observou a Drª. Johnson.
O que o estudo da EPIC mostra é “absolutamente coerente com o que vimos em estudos nos EUA”, Robert Ratner, MD, diretor científico e médico-chefe da American Diabetes Association, disse ao Medscape Medical News.
Ele também disse que os estudos até agora “dão-nos uma mensagem de saúde pública que realmente precisamos ouvir. Em nossas mentes, os dados são esmagadoras e convincentes. Acreditamos que a redução do consumo de bebidas adoçadas com açúcar por meio de informação pública, educação e política de saúde pública, é uma peça fundamental para a redução do desenvolvimento de diabetes. ”
Nos Estados Unidos, o grupo de vigilância Centers for Science in the Public Interest (CSPI) – Centros para Ciencia de Interesse Público (CCIP) – realizou petições às autoridades para regular bebidas adoçadas com açúcar, dizendo que elas são perigosas para a saúde humana e precisam de regulamentação.
No entanto, em Nova York, a proposta do prefeito Michael Bloomberg para proibir bebidas açucaradas de tamanho “super” em restaurantes, cinemas e outros estabelecimentos foi invalidada por um juiz em Março, antes de sua vigência.
O financiamento para o estudo realizado pela Drª. Romaguera e seus colegas foi fornecido pelo European Commission Sixth Framework Programme – Sexto Programa-Quadro da Comissão Europeia. Os autores e a Drª. Johnson não têm relatado quaisquer relações financeiras relevantes.
O artigo original foi publicado online em 24 de Abril de 2013, no periódico Diabetologia. Clique aqui para baixar o artigo original, em Inglês.

Fonte: Medscape News

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