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Profissionais de enfermagem e redes sociais: política de uso do Facebook

Por que alguns enfermeiros e outros profissionais de enfermagem perdem seus empregos por causa de postagens no Facebook? Celebridades usam o site popular de rede social, repórteres de TV também usam, e as chances de que você e seus amigos usem-no também são altas. No entanto, os usuários podem ignorar os efeitos negativos que os sites de redes sociais podem ter em suas carreiras. Na área da saúde, as postagens no Facebook podem influenciar o processo de contratação, violar a privacidade do paciente e resultar em demissão.

A função fundamental do Facebook (e outros sites de redes sociais, como Twitter) é permitir que os “amigos” compartilhem informações. Amigos são pessoas que tenham concordado em se comunicar uns com os outros e permitir que outros tenham algum nível de acesso a informações pessoais. Qualquer pessoa com acesso à Internet pode entrar no Facebook, o site de rede social mais popular no mundo, e se conectar com os contatos. Em dezembro de 2012, o Facebook registrou mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês, e mais de 680 milhões de usuários ativos mensais acessando o Facebook através de aparelhos celulares.

Facebook e demissões

Em março de 2010, 13 enfermeiros que atuam em Emergência em um hospital da Pensilvânia, nos Estados Unidos, foram demitidos pelo o que eles pensavam que seria um bate papo inocente e privado em um grupo on-line de Emergência.

Uma enfermeira foi demitida por postar: “Aquela senhora era louca”. A enfermeira nunca pensou que o que ela publicou na privacidade de sua própria casa resultaria em tal resposta.

Várias semanas depois, o hospital estabeleceu uma política sobre sites de redes sociais, que afirma que os pacientes tem o direito de receber cuidados sem ser objeto de um uma discussão no Facebook.

Em abril de 2010, um paciente mortalmente ferido chegou à Emergência de um hospital na Califórnia (EUA). Sua garganta foi cortada tão severamente que ele quase foi decapitado. De acordo com um funcionário do hospital, em vez de se concentrar no tratamento do paciente, os enfermeiros e outros funcionários do hospital tiraram fotos do homem e postaram no Facebook. O homem logo morreu. Uma das fotos foi postada em contas públicas do Facebook por vários dias até que alguns colegas de trabalho relataram a situação aos superiores do hospital. Quatro funcionários foram posteriormente demitidos, mas nenhum dos enfermeiros.

Vários meses depois, cinco enfermeiras foram demitidas em outro hospital da Califórnia depois que os gerentes de enfermagem descobriram que elas estavam discutindo sobre pacientes no Facebook. Após este incidente, o hospital solicitou que seus funcionários assinassem um acordo de mídia social ressaltando que mesmo que um paciente não seja identificado por nome ou número de registro em um post do Facebook, outras informações poderiam identificar o paciente.

No verão de 2010, uma enfermeira da cidade americana de Michigan ficou chocada quando foi demitida por desabafar no Facebook. Como muitos outros moradores de sua cidade, ela estava chateada quando um policial foi morto a tiros após perseguir um suspeito. Ela tratou o atirador como parte de seus deveres como uma enfermeira. O problema resultou quando ela postou no Facebook que ela “ficou cara a cara com um assassino de policiais e esperava que ele apodrecesse no inferno.” Ela foi demitida por disseminação, no Facebook, de informações de saúde protegidas sobre um paciente. Ela facilitou a identificação do paciente, mesmo sem revelar seu nome. Seu chefe também notou que ela usava comentários depreciativos.

Estudantes de enfermagem não estão imunes a problemas com as postagens no Facebook. Em novembro de 2010, uma faculdade comunitária jubilou (termo utilizado quando se expulsa um estudante universitário) uma estudante de enfermagem por postar uma foto de si mesma no Facebook posando com uma placenta humana. No entanto, um juiz federal derrubou a expulsão alguns meses mais tarde, notando que ela tinha recebido permissão para tirar a fotografia e não houve violação da confidencialidade do paciente. Não havia nada nas fotos para identificar de quem era a placenta.

Outro estudante de enfermagem foi expulso de uma universidade por causa de um post em sua página do MySpace (rede social muito popular antes da Era Facebook). O estudante postou o que muitos consideraram como descrições de mau gosto e ofensivas de sua impressão ao assistir a um parto. A universidade o acusou de violar a confidencialidade do paciente e de outras políticas. A expulsão foi anulada pelo Tribunal Distrital dos EUA, porque a postagem não foi criada ou usada em um contexto profissional. O tribunal disse que, se a escola de enfermagem queria que os padrões de profissionalismo, conforme descrito em seu código de honra, fossem aplicados a todas as condutas de um aluno em todos os lugares, em todos os momentos e em todos os contextos, deveria ter dado uma notificação justa e explicado isso claramente.

É claro que os profissionais de enfermagem não são os únicos a se meter em confusão por causa de postagens no Facebook. Aqui estão alguns exemplos em outros campos profissionais:

  • Uma adolescente foi demitida por dizer que seu trabalho era “chato.” Ela também fez comentários sobre como era maçante rasgar e digitalizar papel
  • Uma mulher ficou doente alegando que era por causa de uma enxaqueca. Ela também reivindicou que a luz do computador incomodava seus olhos e que ela precisava estar em um quarto escuro. Quando seu patrão a pegou usando seu computador para acessar o Facebook, ela foi demitida.
  • Um professor universitário foi demitido depois de postar sobre ter um dia ruim e perguntar se alguém poderia encontrar um “assassino discreto.” Ao fazê-lo, a universidade disse que ele tinha o direito de ser cauteloso depois que um professor em outra universidade matou três colegas professores.
  • Uma garçonete foi demitida de seu emprego em uma pizzaria depois de postar um comentário no Facebook sobre dois clientes que estavam sentados à mesa por três horas e deixaram apenas uma gorjeta de US$ 5. Embora ela não tenha mencionado os nomes dos clientes, ela citou o nome do restaurante.
  • Uma policial veterana foi demitida por postar no Facebook que ela era viciada em maconha e outras drogas. Embora ela tenha afirmado que isso era uma piada, a cidade ainda a demitiu.
  • Uma líder de torcida da National Football League foi cortada da equipe graças a imagens polêmicas em sua página no Facebook. A líder de torcida de 18 anos de idade estava em uma festa de Halloween, quando ela posou para fotos com um homem coberto com pichações ofensivas, incluindo observações anti-semitas, palavrões e suásticas.

Então, por que nós temos esses tipos de problemas? Se você pensar sobre isso, o conteúdo das redes sociais não é novo. As pessoas sempre falaram sobre seus chefes, colegas e empregos quando estavam no horário do almoço. A diferença é que a rede social oferece maiores audiências e um arquivo permanente desses comentários.

A necessidade de regras de privacidade

Intencional ou inadvertidamente, os funcionários podem usar as mídias sociais no trabalho ou em casa, de certas formas que representam riscos legais para seus empregadores. Estes devem, por sua vez, dar uma resposta para a parte ofendida ou enfrentar a perda de potencial de negócios. Aqui estão quatro exemplos dos riscos que uma empresa corre com as postagens equivocadas:

  • Os funcionários podem se engajar em conduta inadequada por postar comentários discriminatórias, insultos raciais ou insinuações sexuais e criar um ambiente de trabalho hostil.
  • Os funcionários podem criar instabilidade no mercado de trabalho através da publicação de fofocas, rumores ou declarações falsas sobre colegas de trabalho ou supervisores.
  • Os funcionários podem, inadvertidamente, revelar informações que permitem que outros coletem informações confidenciais ou proprietárias.
  • Os funcionários podem prejudicar a reputação do empregador por postar comentários inadequados ou imagens que podem refletir negativamente sobre o empregador. Por exemplo, se os funcionários postarem declarações sobre a conduta ilegal fora do trabalho, a conduta poderia ser atribuída ao empregador.

Um fato que pode levar a uma quebra de sigilo é quando alguns funcionários do hospital acham que é aceitável falar publicamente através das redes sociais sobre os pacientes. Os profissionais de saúde estão sujeitos a estrita privacidade e regras de segurança decretadas em 1996 com o Health Insurance Portability and Accountability Act, ou HIPAA. A Regra de Privacidade, que entrou em vigor em 2003, define normas nacionais para proteger as informações pessoais de saúde e registros médicos. Ela também deu aos pacientes direitos sobre a sua informação de saúde, incluindo o direito de examinar e copiar seus registros de saúde. A regra de segurança, que entrou em vigor em 2005, estabelece padrões para proteger as informações de saúde que foram realizadas ou transferidas de forma.

As pessoas podem violar os regulamentos através da partilha de dados do paciente, mesmo sem mencionar o nome dele. Por exemplo, se um empregado do hospital tem uma conversa casual sobre um paciente no elevador, ou em qualquer lugar, de forma que outras pessoas que não estão envolvidas no cuidado do paciente escutem o comentário, esta poderia ser uma violação do HIPAA. Enfermeiros e outros profissionais de saúde sabem que é eticamente errado descrever esta informação na frente dos outros. O desafio para todos os profissionais de saúde é perceber que esses mesmos padrões éticos também se aplicam a conversas on-line.

Em 2009, o governo reforçou a aplicação do HIPAA, adotando a Tecnologia de Informação em Saúde (ou HITECH) para a Regra de Privacidade em Saúde Econômica e Clínica, que aumentou as penas para violações da HIPAA. Por exemplo, o limite original de US$ 25.000 para múltiplas violações de uma disposição aumentou para US$ 1,5 milhão.

Organizações são obrigadas a realizar uma análise para determinar os riscos de segurança e estabelecer procedimentos para reduzir os riscos e vulnerabilidades. Nem todos os riscos de segurança são corrigidos ou tratados com tecnologia cara. Treinamento extra e supervisão gerencial também podem ser eficazes e reduzirem custos com ações judiciais.

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