Infográfico: Tratamento imediato para IAM (infarto agudo do miocárdio)

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Fonte: Nursing Education Consultants, Inc.

 

Update

Após um comentário pertinente de um leitor, analisamos a necessidade de complementar as informações apresentadas no infográfico.

RECOMENDAÇÕES DE TRATAMENTO IMEDIATO DO IAM

Oxigenoterapia (3 l/min a 100%, por meio de cateter ou máscara nasal): É indicada sua administração rotineira em todos os pacientes com infarto agudo do miocárdio, não complicado, nas primeiras 3-6 horas. Em casos onde a saturação de oxigênio encontra-se abaixo de 90%, verificada pela oximetria de pulso, o uso de oxigênio pode ser prolongado, de acordo com prescrição médica*. Quando utilizada de forma desnecessária, a administração de oxigênio por tempo prolongado pode causar vasoconstrição sistêmica e aumento da resistência vascular sistêmica e da pressão arterial, reduzindo o débito cardíaco,
sendo, portanto, prejudicial.

 Anagelsia e sedação: Administrar sulfato de morfina a pacientes de risco intermediário e alto*. A administração de benzodiazepínicos a pacientes de risco intermediário ou alto também é recomendada*.

 Nitratos: Podem ser usados em pacientes com estratificação de risco intermediário ou alto, por via oral (VO), sublingual, IV e transdérmica . As vias sublingual e intravenosa são as mais utilizadas para o tratamento dos casos agudos pela facilidade do ajuste de doses. O tratamento é iniciado na sala de emergência, administrando-se o nitrato por via sublingual (nitroglicerina, mononitrato ou dinitrato de isossorbida). Caso não haja alívio rápido da dor, esses pacientes podem se beneficiar com a administração intravenosa (nitroglicerina e mononitrato de isossorbida são os disponíveis em nosso meio)*. Contra-indicados na presença de hipotensão (PAS < 100 mmHg), uso prévio de sildenafil ou similares nas últimas 24 horas, ou quando houver suspeita de comprometimento de ventrículo direito.

 Betabloqueadores adrenérgicos: Administrar betabloqueadores VO a pacientes de risco intermediário e alto**. O esquema a seguir relaciona as doses de metoprolol e atenolol, os mais usados em nosso país com essa indicação. As administrações IV devem ser criteriosas, apenas em casos específicos.

Metoprolol: VO – 50-100 mg a cada 12 h. IV – 5 mg (1-2 min) a cada 5 min até completar a dose máxima de 15 mg.

Atenolol: VO – 25-50 mg a cada 12 h. IV – 5 mg (1-2 min) a cada 5 min até completar a dose máxima de 10 mg.

Estudos recentes não confirmam todo o benefício sugerido previamente em estudos anteriores, com aumento de hipotensão prolongada e maior número de casos de bradicardia e choque cardiogênico, portanto, sugere-se evitar a administração venosa, que deve ser restrita a casos selecionados. Além disso, evitar o seu uso na presença de contra-indicações (asma ativa, doença pulmonar reativa, PR > 240 mseg, bloqueios de segundo ou terceiro graus) ou em pacientes com maior risco de choque cardiogênico – aqueles com idade acima de 70 anos, pressão sistólica abaixo de 120 mmHg, FC >110 bpm ou insuficiência cardíaca maior que 1 pela classificação de Killip. Portanto, prefere-se usar o betabloqueador por via oral nas primeiras 24 horas. A administração oral com metoprolol é de 50 mg de 6/6 horas no primeiro dia e 200 mg a partir do segundo dia, ou doses equivalentes de outros betabloqueadores. Pacientes com contraindicação para o uso precoce dos betabloqueadores devem ser reavaliados como candidatos a esta terapia na prevenção secundária.

 

– Antagonistas dos canais de cálcio: Indicados para pacientes com risco intermediário e alto, além dos quadros de angina variante (Prinzmetal). Uso de derivado não di-hidropiridínico (nifedipina ou anlodipino) em casos de contraindicação aos betabloqueadores**.

– Agentes antiplaquetários:

a) Ácido acetilsalicílico (AAS): É o antiplaquetário de excelência, devendo ser sempre prescrito, exceto nos raros casos de reação alérgica grave previamente conhecida (prevalência estimada em menos de 0,5% da população) e na vigência de sangramentos digestivos ativos, em especial naqueles relacionados com
as úlceras gástricas. Administrar AAS (162-300 mg em dose de ataque, com dose de manutenção de 81-100 mg/dia) em todos os pacientes, salvo contraindicações, independente da estratégia de tratamento, continuando por tempo indeterminado***.

b) Clopidogrel: O seu uso está indicado nas estratificações de risco moderado e alto para novos eventos
isquêmicos. A administração consiste em uma dose de ataque de 300 mg, em adição ao AAS, e manutenção com 75 mg ao dia. É a droga de escolha para pacientes com contraindicação ao AAS***.

– Antitrombínicos: Uso de enoxaparina (nas seguintes doses: paciente < 75 anos – 30 mg IV em bolo e após 1 mg/kg subcutâneo de 12/12 hs até a alta hospitalar. Em pacientes acima de 75 anos não administrar o bolo e iniciar com 0,75mg/kg de 12/12 horas) preferencialmente à HNF, a não ser que cirurgia de revascularização miocárdica esteja planejada para as próximas 24 horas.

 


*Classe I, nível de evidência C

**Classe I, nível de evidência B

***Classe I, nível de evidência A

 

 

Fontes:

Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA SOBRE ANGINA INSTÁVEL E IAM SEM SUPRADESNIVELAMENTO DO SEGMENTO ST.

MARTINS, H. S. et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 8. ed. rev. e atual. Barueri: Manole, 2013.

MedicinaNET

2 opiniões sobre “Infográfico: Tratamento imediato para IAM (infarto agudo do miocárdio)”

    1. Muito bem lembrado, Oziel! Você está certíssimo!
      O nosso infográfico mnemônico foi adaptado para o Português a partir de um programa americano de desenvolvimento e aprimoramento do conhecimento em Enfermagem. Portanto, não tínhamos a liberdade de acrescentar as informações complementares que você mencionou em seu comentário.
      Fizemos uma atualização no post e acrescentamos todos os outros dados que faltam no infográfico.
      Muito grato pelo comentário!

      Curtir

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