Sindrome da Abelha-Rainha: obscurecendo as questões entre profissionais de enfermagem | Nursing Crib

Síndrome da Abelha-Rainha: uma realidade na Enfermagem

Gentileza e cuidado têm sido muitas vezes considerados sinônimos de Enfermagem. Quando as pessoas mencionam “enfermeiros (as)”, eles (as) são muitas vezes vistos (as) como pessoas de fala mansa, de aparência gentil em jalecos brancos, capazes de fazer o bem para os outros. Há pessoas de fora da profissão que sempre imaginaram como deve ser trabalhar com esses anjos de bom coração. No entanto, o que eles não sabem é que uma certa escuridão e algumas coisas-não-tão-boas na verdade acontecem dentro das quatro paredes do hospital.

Sabe aquela sensação que você tem depois de concluir a graduação e obter o registro no conselho de classe e, finalmente, atribuir um “Enfermeiro (a)” (ou “Técnico (a) de Enfermagem” / “Auxiliar de Enfermagem”) ao seu carimbo depois de anos de trabalho duro e noites em claro? Você se sente em êxtase, certo? Isso tudo faz você sentir que todas as dificuldades que você experimentou na faculdade (ou escola de enfermagem) e durante a inscrição para o Conselho valeram a pena. Finalmente, você começa a atingir o seu sonho de se tornar um (a) Enfermeiro (a)/Técnico (a) de Enfermagem/Auxiliar de Enfermagem.

Bullying na Enfermagem

Depois de receber a sua licença do Conselho, a primeira coisa que os profissionais de enfermagem recém-formados fazem é procurar um emprego e trabalhar em uma unidade de saúde o mais rápido possível. Eles ficam tão animados para finalmente começarem as suas carreiras na enfermagem que alguns não vem preparados para lidar com todos os horrores de ser um novato na área.

Em cada unidade de saúde sempre haverá aquela pessoa que age como o “bom profissional de enfermagem” na frente dos colegas de trabalho, médicos e chefias, mas quando se trata de iniciantes, ela se transforma em uma abelha rainha e torna as vidas (e os primeiros meses no hospital) um inferno para os novatos. Esta questão é frequentemente denominada como “comer o fígado dos novatos” ou dos novos membros da equipe de saúde. E tal questão pode ser uma forma de assédio, intimidação, trotes entre outras coisas.

Este tratamento abusivo que os novos profissionais de enfermagem recebem da abelha rainha pode variar desde o mais simples e mais leve até o mais severo bullying. Para alguns, a questão pode parecer nova, mas ela já está presente há anos na profissão de enfermagem. A maioria dos profissionais passa por esta experiência desde os seus primeiros meses na área prática de atuação. Como alguns se submetem subservientemente a este tratamento, os chamados profissionais abelhas-rainhas fazem isso para o outro colega de profissão, e depois para o outro, de geração em geração. E este comportamento se transforma em um ciclo vicioso.

O segredinho sujo da enfermagem

Alguns estudos norte-americanos mostram que 60% dos novos enfermeiros deixam o seu primeiro emprego dentro de seis meses por causa dessa recepção danosa. Alguns podem experimentar uma forma de abuso verbal ou tratamento áspero de um colega durante os seus primeiros dias na profissão. Quando alguém se torna um alvo do bullying da enfermagem, acha difícil integrar-se e até mesmo se tornar um profissional competente.

Pode parecer um pequeno segredo sujo da enfermagem, mas esta questão tem que ser publicamente reconhecida. Não só danifica a imagem dos profissionais da área, mas também ocasiona muitas complicações no ambiente de trabalho. A questão é vista como algo que desestabiliza e derruba alguns enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Os novos profissionais enfrentam muitas dificuldades quando começam as suas carreiras na enfermagem. Durante estes primeiros poucos meses, um número de ajustes devem ser feitos por parte desses profissionais. Eles tentam se enturmar e acompanhar as exigências de alguns profissionais auxiliares, técnicos ou enfermeiros e, por serem novos na profissão, muitas vezes não possuem suficiente autoconfiança nas suas capacidades assistenciais de enfermagem. Contudo, isto não deve detê-los, uma vez que devem aprender a lidar com pacientes doentes e as suas famílias, questões de vida e morte, além de todas as outras tarefas assistenciais e questões éticas durante a jornada de trabalho.

Alguns enfermeiros, técnicos ou auxiliares de enfermagem pensam que cometer bullying com os colegas os fazem mais resistentes e fortes. Contudo, não é isso que novos profissionais pensam. Em um tempo onde recém-admitidos na área se esforçam para acompanhar o ritmo e a rotina do seu ambiente de trabalho, os profissionais de enfermagem veteranos devem dar-lhes as boas-vindas com o suporte necessário e de braços abertos. Ao invés de abusar verbalmente deles, é melhor que os profissionais tratem uns aos outros com o respeito necessário. E que trabalhem como uma equipe. Com isto, não somente os novos profissionais serão beneficiados mas também os pacientes, por meio de um trabalho realizado de mãos dadas, com o objetivo de fornecer uma assistência de qualidade para aqueles que necessitam.

Fonte: Nursingcrib

Mais textos sobre o assunto (em inglês): New York Times e NurseTogether

20 opiniões sobre “Sindrome da Abelha-Rainha: obscurecendo as questões entre profissionais de enfermagem | Nursing Crib”

  1. Claro que já fui uma vítima de uma dessas abelhas rainhas,e não uma,mas inúmeras vezes!Porém também ouveram muitas que serviram de degrau para a profissional que sou hoje.E uso isso para não fazer o mesmo com os colegas novatos,espero estar sendo útil!

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  2. Tenho duas sobrinhas formadas que já estão trabalhando , mas também estão desapontadas e arrependidas do que fizeram se depararam com verdadeiro abutres já estão estudando e fazendo concurso para mudarem o curso de suas vidas decepcionadíssimas com os profissionais da saúde isso é muito triste pois achávamos cegamente que era um trabalho humanizado mas não é não pois eu trabalho a mais de 15 anos na saúde e faço um trabalho humanizado em relação ao atendimento em prol do paciente mas não é o que eu vejo e sim o que eu não vejo acontecer.

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  3. O texto é bom nos alerta sobre o que acontece em muitos locais. Mas o início do texto me incomodou. Ate qd nós profissionais de enfermagem vamos nos taxar de “amorosos, ” anjos”, fazem o “bem”, são ” bons de coração ” eu fico indignada . Não quero ser reconhecida como “boazinha”. Quero ser reconhecida como profissional competente e com amplo conhecimento científico. Qd verdadeiramente vamos parar com espirito caridoso e nos posicionarmos? Que tal começar por nós mesmos????

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    1. Olá, Danielle!
      O início do texto reflete como a sociedade em geral tende a enxergar os profissionais de enfermagem. Não é um ultimato sobre como somos, apenas uma constatação da percepção popular.
      A sua opinião é igual a minha: os profissionais de enfermagem não devem ser vistos como “boas almas” ou “anjos” que “amam o cuidar”. Devemos ser vistos como símbolo de competência, cuidado baseado em evidências científicas e dedicação ao avanço técnico da assistência.
      Muito obrigado por expor a sua inquietação e opinião sincera. Fico feliz em ter leitores como você!
      Abraço!

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    2. Muitas vezes o paciente precisa mais que conhecimento científico, precisa de calma, tranquilidade e respeito para ter um tratamento a até uma morte digna, e muitas vezes os profissionais estão tão preocupados em mostrar serviço que esquecem de ser humanos no tratamento. Precisamos de profissionais que se preocupem com pessoas e menos com parecer bons profissionais.

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    3. O início do texto fala exatamente da generosidade sim dos anjos de branco, provando que a ciência baseada em evidências é possível dentro de uma classe que respeita os direitos individuais de cada um, entendo a ciência como conhecimento adquirido em benefício do outro, e que tipo de conhecimento vc recebeu durante a sua formação, não foi para tratar de seres humanos mas de doenças? eu como Enfermeiro quero ser reconhecido por ser humano com todos pelos conhecimento científico que como humano desemvolvo com todos não só com paciente mas com seus familiares e membros da equipe de saúde, a ciência baseada em evidência é o todo é o biopsicossocial , há enfermeiros científico trata doença mas não trata o paciente, ou trata a doença mas não trata o acompanhante, ou trata o acompanhante mas não consegue tratar um membro de sua equipe de trabalho porque não tem nada a ver o problema não é dele, Nanda Internacional diagnóstica não só para paciente mas para família e comunidade, então vejo que determinados profissionais tem que mudar muito seus conceito, quando relaciona erradamente ciência com doença, a ciência é tudo que nos rodeia enquanto enfermeiro ou profissional de saúde e que com conjunto de conhecimentos adquiridos temos capacidade de resolver porque estudamos para isso, seja no tratamento digno com nossos colegas de profissão seja com pacientes, familiares, superiores ou a comunidade, é nesse sentido que é visto o anjo da enfermagem hoje quem não mudou seus conceitos está na hora de mudar.

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  4. Achei o tema deste texto muito bom. A meu ver, esse ciclo doentio infelizmente não vai ter fim. Ele é erroneamente embutido na cabeça dos alunos já na faculdade,no ambiente de formação.
    Uma grande porcentagem de profissionais que até ontem, lutava para pagar a faculdade, termina a faculdade e vira “chefe”. Chefe da noite para o dia, sem nenhum preparo para liderança e a única arma que possuem é a arrogância, a ignorância ´para lidar com os subordinados. Eu sinceramente, estou cada dia mais envergonhada com o que vejo por aí. “Doentes” tratando de doentes. E o pior….acham graça disso. NÃO PODEMOS NOS CALAR. UMA PENA QUE BULLYING AINDA NÃO É CRIME PELO CÓDIGO PENAL….

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    1. Olá, Thalita!
      Em primeiro lugar, obrigado pela leitura e comentário.
      É realmente triste ver comportamentos tão adversos. A humanização passou a ser apenas tema de seminários acadêmicos e, quando aplicada, nunca foca no profissional.
      Parabéns pela sua eloquência!
      Abraço!

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    2. Bulling. E crime sim. Que tal comecarmos a denunciar. Esses monstros que se acham.no poder persseguicao.intimidacao. constrangimento .assedio moral. Sim aprendi na faculdade.da processo sim e nos comecarmos a denunciar.e nos unirmos em prol de um bem comum.para que pagamos corem.ate chegar cofem para isso existem os conselhos regional e federal.

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  5. Concordo sim ,que todos deveriam trabalhar juntos Pq somos tudo uma equipe, e os pacientes precisam de um atendimento digno ,de todos os profissionais de enfermagem.

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  6. Isto já aconteceu comigo várias vezes.Colegas que cometem “bullying” ao receber os novatos, não o fazem resistentes e fortes, e sim mostram sua mediocridade como seres humanos. Pessoas sem valores. Como estes profissionais podem estar atuando na área de saúde, onde a EMPATIA e a BENEVOLÊNCIA, devem estar presentes no comportamento destes profissionais?

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  7. De todos os comentários o seu Isabel foi o que eu penso. Protocolos, termos científico é importantíssimo, mais dar um atendimento humanizado faz a diferença. Aí que a gente paciente vê o excelente profissional e sua bagagem com um grande coração. Parabéns Isabel

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  8. Tenho anos na enfermagem e posso afirmar que esse tipo de tratamento não acontece somente com novatos. Isso é típico da enfermagem, parece um mal que contagia. Estou passando por esse processo e cheguei ao ponto de falar com a pessoa que estava me torturando ou iria enlouquecer. Conversamos abertamente e chegamos num consenso de passar a se respeitar uma a outra em prol de um só objetivo: o bem estar do paciente.

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    1. Eu me formei . Resolvi voltar mas como tecnica. So para adquirir experiencia. Nos setores parte burocratica.e sai porque nao aguentei. Esses tipos de pessoas. Que nao sabem nem administrar sua propria casa. Pessoas burras .delegando ordens arbitrarias. Erros profissionais que causaram ate mortes de pessoas.e ainda fazem inferno na vida do colega. Gente que nao sabe fazer uma puncao.e ainda vem dar umq de superior.tenho e 15 anos como tecnica.fui a uma fqculdade aprender o lado cientifico.porque o bracal faco e de olhos fechado.porque estudo.e sou curiosa corro atras para aprender. E so aprebdemos dentro dos hospitais. Cada plantao e uma vivencia.fora que o salario de um enfermeiro.1300.00reais por quinze plantoes.empresa terceirizada. Nao sei .mas se quero trab.mais como enfermeirq.acho que vou ficar e como tecnica mesmo.vou me dedicar a estudar concurso pulblico.se deus me ajudar.amem. e mas se falarmos algo que desagradem as chefias de cooperativas. E hospitais no outro dia ta afastada.isso aconteceu comigo.ai como nao gosto de puchar saco de ninguem.ai ja viu.estou pqra trabalhar e cuidar do proximo que e umq coisa que amo fqzer.

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  9. Se com profissionais de enfermagem enfermeiros acontece o tal do bullying com os novatos, quanto mais com os estagiários…Eu fui estagiário de uma maternidade pública e lidava diretamente com a coordenadora de enfermagem que se auto titulava diretora de Enfermagem…pois bem essa mulher era a “abelha-rainha” personificada… além de várias vezes me corrigir em público sem a menor discrição, ainda permitiu que a mim fosse vedado o acesso ao conforto de enfermagem, sendo que havia enfermeiro na unidade que valia-se do mesmo conforto…o pior que a postura da tal “abelha-rainha” contagiava todo o quadro de enfermagem comprometendo a assistência.

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  10. Acho que o profissional deve ser firme,nao deixando se intimidar com as “abelhas rainha”,devemos agir com ética,e transparência porque se fizermos a coisa correta não há do que se intimidar…

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  11. Olá! Na verdade, o receio de não passar no contrato probatório, por não sabermos quão quista e a abelha em questão, acabamos nos submetendo a estes desrespeitos por parte de colegas de profissão. Sofri isso tbm, e hoje ainda vejo muito tais abelhas se achando superior diante de colegas Q chegam e muitas vzs não são novo, soa colegas Q mudam de turno. Infelizmente existem muitas pessoas na enfermagem Q se sentem feliz em humilhar o outro. Vejo isso como sentimento de pena! São infelizes! Necessitam de tratamento! De ajuda! Penso dessa forma.😊

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