Maceração de medicamentos: quando não fazer?

Administração de medicamentos: quais não devem ser macerados?

Algumas apresentações de medicamentos administrados via oral não devem ser maceradas. Tais apresentações são especialmente formuladas para liberar os seus compostos farmacológicos gradualmente no decorrer das horas. E com qual finalidade? Proteger os princípios ativos do pH baixo do estômago, bem como proteger a mucosa gástrica dos efeitos irritantes que algumas drogas possuem. Da mesma maneira, alguns medicamentos possuem um revestimento entérico, formulado com a intenção de permitir que tais medicamentos passem intactos pelo estômago e liberem seus princípios ativos diretamente no intestino. Tal mecanismo protege o estômago dos efeitos irritantes da droga, evita que o fármaco seja destruído pelo suco gástrico e atrasa o início da ação do medicamento. Formulações de ação estendida (liberação lenta) são feitas para liberar a droga por um longo período de tempo. Essas formulações incluem comprimidos comprimidos em múltiplas camadas, nos quais a droga é liberada quando cada camada se dissolve. Há também pílulas de liberação mista, que se dissolvem em intervalos de tempo diferentes. Alguns medicamentos de ação estendida possuem duas metades, podendo, assim, ser quebrados em duas partes sem que se afetem os mecanismos de liberação da droga. Ainda assim, tais medicamentos não podem ser macerados ou mastigados. oral-meds Variadas formulações de ação ou liberação estendida podem ser identificadas por abreviações comuns nos seus nomes comerciais. Essas siglas incluem: CR (liberação controlada), CRT (tablete de liberação controlada), LA (longa ação), SR (liberação sustentada), TR (liberação temporizada), SA (ação sustentada) e XL ou XR (liberação estendida).

XR (eXtended Release - Liberação Estendida): A liberação estendida tem como objetivo manter a liberação do fármaco por um período maior de tempo. Neste tipo, a liberação é suficientemente lenta para que seja possível estender o intervalo entre as doses por duas vezes ou mais. Exemplos: Efexor XR, Cipro XR, Glifage XR, Alenthus XR, Frontal XR.
SR (Sustained Release - Liberação Sustentada): modalidade da liberação estendida que permite uma rápida liberação de uma dose ou fração do princípio ativo, seguida de uma liberação gradual da dose restante, por um período de tempo prolongado. Ou seja, ação rápida e duradoura. Exemplos: Voltaren SR, Indapen SR.

Outras variações são:

AP (Ação Prolongada): Exemplo: Tylenol AP
LP (Liberação Prolongada):  Exemplo: Biofenac LP
DI (Desintegração Instantânea):  Exemplo: Biofenac DI
CLR (Crono-Liberação Regulada): Exemplo: Biofenac CLR
CD (Controlled Diffusion): controle da liberação do princípio ativo. Exemplo: Angipress CD
SRO (Sustained Release Oral): Exemplos: Hydergine SRO, Parlodel SRO
CR (Controlled Release): Exemplos: Tegretol CR, Adalat CR
E existem ainda algumas siglas que não têm a ver com a modificação na liberação, como nos casos do Tylenol DC (Dor de Cabeça) e Feldene SL (Sub-Lingual).
Temos ainda a sigla BD (Bis in Die): Bis in die é uma expressão em latim que significa duas vezes em um dia. Os medicamentos com a sigla BD, portanto, devem ser tomados 2 vezes ao dia. São medicamentos que, em suas versões “normais”, devem ser tomados 3 vezes ao dia (a cada 8 horas), e nas versões BD, apenas 2 vezes (a cada 12h), o que facilita a adesão ao tratamento e a correta utilização destes medicamentos. Exemplos: Amoxil BD, Clavulin BD, Velamox BD.

Ocasionalmente, algumas drogas não podem ser maceradas porque são irritantes para a mucosa oral, são extremamente amargos ou possuem corantes que podem manchar os dentes ou o tecido mucoso da boca. remedio A tabela abaixo contém uma lista de medicamentos que não devem ser mastigados ou macerados. Uma apresentação líquida pode ser encontrada para muitos desses medicamentos. Entretanto, a dose ou a frequência de administração podem ser diferentes daquelas utilizadas nas apresentações de liberação lenta.

Medicamentos orais que não podem ser mastigados ou macerados

Nome Comercial

Nome Genérico

Comentários

Acinic®, Metri®. Niacina Liberação lenta
Adalat® Nifedipino Liberação lenta
Anemiplus®, Hematofer®, Ferrini® Sulfato Ferroso Liberação lenta
Artane®

Triexifenidil

Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Carbolitium CR® Carbonato de Lítio Liberação lenta
Cardizem®, Cardizem CD®, Cardizem SR® Diltiazem Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Clohedyl SA® Oxtrifilina Liberação lenta
Depakene® Ácido Valpróico Liberação lenta. Irrita as membranas mucosas
Diamox®, Zolamox® Acetazolamida Liberação lenta
Dicorantil F® Disopiramida Liberação lenta
Dilacoron® Verapamil Liberação lenta
Dimetapp® Gelcaps Pseudoefedrina, Bronferinamina Liberação lenta

Dimorf®, Dimorf LC®, Dolo Moff®

Morfina Liberação lenta
Dorflex®, Doricin®, Rielex® Orfenadrina Liberação lenta
Dulcolax®, Lacto-Purga® Bisacodil Revestimento entérico
Eribiotic®, Eriflogin®, Eripan®, Eritax®, Eritrex®, Ilosone®, Lisotrex® Eritromicina (Etilsuccinato) Revestimento entérico
FULCIN®, SPOROSTATIN® Griseofulvina Maceração pode resultar em precipitação da droga
Gaspirem®, Loprazol®, Losec®, Lozap®, Omep®, Omeprazol® Omeprazol Liberação lenta
Hidrato de Cloral® Hidrato de Cloral Cápsula preenchida com líquido
INDERAL®,PRONOL®, PROPACOR®, Propranolol®, Propranolon®, Rebaten LA®, SanPRONOL® Cloridrato de Propanolol Liberação lenta
INDOCID® Indometacina Liberação lenta

Isordil®

Dinitrato de Isossorbida

Liberação lenta
Lansoprazol® Prazol Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar

Mestinon®

Piridostigmina

Liberação lenta
Monotrean®, Nicopaverina AP® Papaverina Liberação lenta
Naldecon® Fenilefrina Liberação lenta
Piroxil®, Piroxin® Piroxicam Irrita as membranas mucosas
Polaramine®, Celestamine® Dexclorfeniramina Liberação lenta
Roacutan® Isotretinoína Irrita as membranas mucosas
Teolong®, Talofilina® Teofilina Liberação lenta. As cápsulas podem ser abertas e o conteúdo retirado sem mastigar ou macerar
Tropinal® Hiosciamina Liberação lenta

(Fontes: NursingCribBlog Opinião Farmacêutica)

7 opiniões sobre “Administração de medicamentos: quais não devem ser macerados?”

    1. Olá, Ana Paula!
      Fico sempre muito feliz ao ver os leitores participando ativamente nos posts. O blog tem o intuito de trocar informações e experiências, o que não seria possível sem a participação do leitor.

      Em relação ao conteúdo do texto, algumas explicações devem ser consideradas. Trituramos um medicamento (em geral os comprimidos) quando o transformamos em pó (ou quase isso). Porém, seria difícil administrar o resultado da trituração, por exemplo, em pacientes com cateteres gástricos ou enterais. Para facilitar a administração, adicionamos água ao pó obtido por meio da trituração. O ato de adicionar água ao medicamento triturado é conhecido como maceração.
      A maceração de comprimidos é diferente daquela ensinada na Farmacognosia, quando queremos extrair um composto de alguma erva medicinal. Talvez seja esse tipo de maceração que você levou em conta ao sugerir a troca do título do texto.

      Espero que tudo tenha ficado claro! Se você tiver mais alguma dúvida ou sugestão, envie-nos seu comentário através do menu ‘Contato’ em nosso blog.

      Grande abraço!

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    1. Olá, Verônica!

      Em casos de pacientes em uso de SNE, deve-se procurar alternativas para as medicações que não podem ser trituradas e/ou maceradas. A maceração de drogas que não devem ser preparadas dessa maneira pode inativar os princípios farmacológicos dessas drogas, prejudicando o tratamento do paciente.

      Abraço!

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  1. Olá. Estou tomando Urovaxon, um lisado bacteriano de E. coli. Ele é um comprimido gelatinoso. Na bula diz que nao deve ser mastigado. Você sabe me dizer porque nao devemos mastigar o lisado bacteriano. Será devido a sua absorsão no estomago ou por ocasionar dano a mucosa? Obs: Ele ja abriu na munha boca certo dia. Mas nao possui gosto algum.
    Obrigado

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    1. Olá, Priscila!

      O Uro-Vaxom não possui modelos experimentais/estudos farmacocinéticos até o momento. Porém, sabemos que estudos em animais com extrato de Echerichia coli marcada com C14 mostraram rápida absorção no intestino. Portanto, a recomendação de não mastigar a cápsula (ou comprimido) está ligada ao local de absorção e não a possíveis danos à mucosa oral.

      Espero ter sanado sua dúvida.

      Obrigado pelo comentário e continue acompanhando o Blog!

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  2. Comentários ótimos. Sofro disfagia. Tomo esomeprazol, domperidona, dorflex, stilnox e razapina, vitamina centrum. Podem estes medicamento ser diluidos em água, ou triturados?

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